Dedilhava o corpo gelado vezes e vezes sem conta.
Por mais vezes que repetisse tais movimentos continuava angustiado e com saudade; saudade de tocar aquele corpo, aquela pele arrepiada e a ferver quando se perdiam por entre espaços de tentação.
Ainda hoje tudo lhe parece difuso. O fim que conhece tem inúmeros meios e alternativas, lembra-lhe o caleidoscópio por onde ambos olharam e juraram amar-se terrivelmente por entre pecados e tentações.
Nunca julgou vir a amá-la assim; aliás, ele nunca se viu no papel de quem é capaz de amar alguém a não ser a ele mesmo, nutrir este sentimento por uma outra pessoa, de uma forma tão intensa, deixava-o frágil, sentia que podia quebrar a qualquer momento, tal qual um copo de cristal.
Ainda tentou racionalizar e equacionar o que sentia, porém, todas as tentativas falharam. Um ser extremamente racional e frio como ele via-se envolto numa rede de sentimentalismos que o deixavam desconfortável. Por isso, jurou que assim que descobrisse como encontrar a cura para “aquilo”, nunca mais se ia deixar sucumbir por este sentimento tão cruel que é o amor.
Ricardo Cunha e Lúcia Pereira
Sem comentários:
Enviar um comentário